Às vezes, a gente abre aquela gaveta empoeirada, e remexe o passado. E – inevitavelmente – o passado remexe a gente.
Não é saudade, ou vontade de estar de volta àquele lugar. É um sentimento diferente, uma dor que, na verdade, sequer sei explicar.
Nesse final de ano a solidão me abraçou. Um abraço longo e dolorido. Um abraço que aperta não o corpo, mas o coração. Um abraço que angustia a alma.
Um abraço que me lembrou o quão difícil é não ter ninguém. Um abraço que me fez chorar, brigar, esbravejar e cuspir a dor que estava latejando dentro do peito.
E eu me senti (e sinto) cansada. Frágil. Sozinha. Amarga. Difícil. Emotiva. Sentida. Injustiçada.
E, por tudo isso, hoje fui remexer no passado. Mesmo sabendo que ele não é, nem de longe, o presente que eu gostaria para mim.
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