quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

.passado.

Às vezes, a gente abre aquela gaveta empoeirada, e remexe o passado. E – inevitavelmente – o passado remexe a gente.

Não é saudade, ou vontade de estar de volta àquele lugar. É um sentimento diferente, uma dor que, na verdade, sequer sei explicar.

Nesse final de ano a solidão me abraçou. Um abraço longo e dolorido. Um abraço que aperta não o corpo, mas o coração. Um abraço que angustia a alma.

Um abraço que me lembrou o quão difícil é não ter ninguém. Um abraço que me fez chorar, brigar, esbravejar e cuspir a dor que estava latejando dentro do peito.

E eu me senti (e sinto) cansada. Frágil. Sozinha. Amarga. Difícil. Emotiva. Sentida. Injustiçada.

E, por tudo isso, hoje fui remexer no passado. Mesmo sabendo que ele não é, nem de longe, o presente que eu gostaria para mim.