quinta-feira, 31 de março de 2022

 CARTA ABERTA AO MEU PAI


Pai, eu te agradeço pelo reconhecimento de seus erros e pedido de perdão. Saiba que essa atitude é muito importante para mim, e tenho certeza que abrirá portas para nós dois. 

Talvez o perdão não seja algo assim tão fácil e rápido de alcançar, mas a abertura de uma porta para esse caminho, é com certeza o maior dos impulsos para que o coração se acalme e as mágoas se dissolvam.

Peço também perdão por tantas vezes não conseguir me conter. Por tantas vezes me exasperar e ser impaciente. Sei que sou falha, mas estou tentando melhorar, me entender e autoperdoar. Acredito que esse é o caminho.

Sei que muito do que sou, vem de toda a nossa história de discussões e desentendimentos, mas também sei que perdoar e acolher isso é o início de uma caminhada para aprender a ser mais tolerante e compreender que cada um só é o que consegue ser.

Estou tentando. Obrigada por ter dado um passo para ajudar. Deus te guarde e proteja, e saiba que se tantas vezes peco por excesso, é somente na intenção de cuidar.

segunda-feira, 12 de março de 2018

.dependente.

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E eu me sinto como uma dependente química, que, embora tenha consciência de todo o mal causado pela tal droga, não consegue desligar-se ou parar de sentir sua falta. Abstinente. Saudosa. Carente dos efeitos positivos, dos risos fáceis e das liberdades conquistadas. Esquecida do lado negativo. Ausente do sofrimento e de toda a dor causada. Há uma necessidade irracional, que faz evaporar cada sentimento ruim. Cada humilhação e cada injustiça. Sobressaem os delírios, os desejos, os encantos. Sobressaem as vontades. As saudades. As lembranças. E se sobrepõem até mesmo ao meu orgulho, ao meu ego e autoestima. Se colocam acima de mim. Pisam no que fui, desdenham do que eu sou. Rechaçam o que restou quando você se foi. E o que consegui resgatar com o passar do tempo. Esse mesmo tempo que me faz voltar a querer sentir o que foi bom.   

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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

.chama.

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Deixou-se levar pela conversa gostosa, regada por cerveja gelada e salteada de risos espontâneos. O charme tinha lugar nas entrelinhas, e as palavras vez por outra davam indícios de vontades. O sorriso faceiro encantava, enquanto os olhos, felinos, envolviam. Os tímidos e quase inocentes toques revelavam o real querer. Os olhos não saíam um do outro e as bocas, falantes, ansiavam pelo silêncio do encontro. O tempo foi passando e a bebida absorvendo os pudores. Não havia mais razão, somente desejo. E quando os corpos se cruzaram, seu roçar tímido aqueceu o espaço. As mãos se entrelaçaram, os lábios se tocaram e a chama se acendeu. Já era tarde para voltar atrás.

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

.transbordar.

Talvez fosse isso o que faltava. Escrever. Transformar em palavras cada sentimento que insiste em permanecer dentro de mim. Transbordar. Expulsar do peito essa angústia, essa sensação ruim de que há ainda algo pelo que lutar. Não há. Talvez sequer um dia tenha havido. Tudo ilusão. Muito sentimento desperdiçado em uma relação que já começou me mostrando qual seria o fim. Uma dedicação infinita a algo que só serviu para me roubar de mim. Perdi-me. Desde o início. Fui, dia após dia, abrindo mão de tudo aquilo que me fazia ser eu. Os escritos, os amigos, as rotinas, as vontades. Fui me encaixando em uma vida que não era minha e tampouco queria me pertencer. Não sobrou nada. Ficou apenas o eco da tristeza reverberando no vazio. Não me reconheço mais.