domingo, 23 de março de 2025

.dúvida.

Certa vez, uma amiga confessou que, embora estivesse em um relacionamento com um antigo caso do passado, tinha muitas dúvidas se deveria se casar.

Lembro-me perfeitamente que dizia que, com ele, não podia ser ela mesma.

Lembro-me, também, que à essa ocasião, e pedindo minha opinião, eu lhe disse que, a meu ver, essa relação – a longo prazo – seria insustentável. E que, se havia dúvidas, não fazia sentido casar.

Algum tempo passou... e a notícia do casamento chegou até mim. Em meu coração, desejei felicidades... em minha cabeça, sabia que havia sido um erro.

E foi.

...

Hoje, estando eu em um relacionamento onde, apesar de amar imensamente (ou talvez somente querer – inconscientemente – acreditar nisso), não posso ser eu mesma, nem tampouco sou tratada da forma que gostaria, me pego nessa mesma dúvida... será que devo aceitar esse "amor" errante e me casar?

E, embora meu coração diga que sim – ou apenas anseie demais por esse sim – minha cabeça insiste em dizer não. 

E eu, que outrora aconselhei, tenho agora dificuldade em seguir minha própria direção e abdicar de casar-me com alguém que, embora diga que me ama, pouco – ou nada – faz para demonstrar esse sentimento.

É preciso ignorar as palavras e observar as ações.


sábado, 22 de março de 2025

Qual é o tipo de amor que você acredita que merece?

Qual é o tipo de amor que você acredita que merece?

É a pergunta que reverbera em minha mente, enquanto as lágrimas dificultam a escrita desse texto.

A discussão, ainda quente na cabeça, o corpo ainda quente do contato. É tudo tão intenso e fugaz.

O nosso encontro é sempre devastador como um furacão. Vem e vai, com a velocidade de um pensamento. Em um instante somos amor, e no seguinte, estamos mais próximos do ódio. 

Nós somos uma bagunça, como tantas vezes te disse, e você discordou. Nós somos um misto de coisas que, por tantas vezes, me fizeram duvidar do que realmente existe.

Mas afinal, qual é o tipo de amor que eu acredito que mereço? 

Será que é esse tipo, inquietante, intenso, e tão frágil em sua calmaria? Um amor que incendeia em um minuto, para no seguinte congelar? Um amor que em um instante fala em casamento, para, no seguinte, se separar?

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Certa vez encontrei um amor calmo... seguro... dedicado... cuidadoso... e eu, sempre tão errante, até tentei, mas não consegui corresponder. Parece que o amor que tanto desejo, esse, cheio de qualidades e garantias, não é o amor que me arrebata, que me amolece, que me conquista. Parece mesmo que eu acredito que só mereço amores que doem, amores que maltratam, amores que sangram.

...

E eu só queria descobrir como apagar de mim esse sentimento que insiste em ignorar toda e qualquer palavra que venha da razão. Só queria conseguir rasgar a página, que já foi tantas vezes virada, mas sempre acabou relida mais outra e outra vez. Só queria aprender a ignorar esse sentimento que, há tantos anos, foi construido em turbilhão.